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Voltar a viajar ou praticar esportes depois de um trauma: como o EMDR pode ajudar?

Você já deixou de fazer alguma coisa que gostava por causa de uma experiência difícil?

Talvez você adorasse viajar, mas depois de um acidente passou a evitar estradas ou aviões.

Ou gostasse de praticar esportes, mas, após uma lesão, uma queda ou um susto, nunca mais conseguiu voltar com tranquilidade.

Também existem pessoas que deixaram de nadar, correr, andar de bicicleta ou fazer trilhas porque o medo passou a falar mais alto do que a vontade.

Se isso aconteceu com você, saiba que não está sozinho.

E, mais importante, isso não significa que você perdeu a coragem.

Em muitos casos, significa apenas que o seu cérebro ainda está tentando proteger você.


Por que isso acontece?

Quando vivemos uma experiência muito intensa, o cérebro registra aquele momento como um possível perigo.

Essa é uma forma de proteção.

O problema é que, às vezes, ele continua reagindo como se o risco ainda existisse, mesmo quando a situação atual é completamente diferente.

Por exemplo, uma pessoa que sofreu um acidente de carro pode sentir ansiedade só de pensar em viajar.

Alguém que se machucou durante um esporte pode perceber o coração acelerar ao imaginar voltar aos treinos.

O medo não aparece porque a pessoa é fraca.

Ele aparece porque o cérebro associou aquela atividade ao perigo.


Evitar ajuda?

No começo, sim.

Evitar a situação costuma trazer uma sensação imediata de alívio.

Mas esse alívio pode fazer com que o cérebro continue acreditando que realmente existe um grande risco.

Sem perceber, a pessoa começa a adaptar toda a rotina para não entrar em contato com aquilo que desperta medo.

Deixa de viajar.

Abandona o esporte que sempre gostou.

Recusa passeios.

Muda planos.

A vida vai ficando cada vez mais limitada.


O problema não é apenas a atividade

Muitas vezes, o sofrimento não está relacionado à viagem, ao esporte ou ao passeio.

O que continua provocando medo é a lembrança da experiência vivida.

Enquanto essa lembrança permanece muito intensa, o cérebro pode continuar reagindo da mesma maneira sempre que encontra algo parecido.

É justamente por isso que algumas pessoas dizem:

"Eu sei que estou seguro, mas meu corpo parece não acreditar."


Como o EMDR pode ajudar?

Quando esse medo está relacionado a uma experiência traumática, o EMDR pode fazer parte do tratamento.

O objetivo não é convencer você a viajar ou praticar um esporte.

Também não é fazer você ignorar riscos reais.

O objetivo é ajudar o cérebro a processar a experiência que continua mantendo esse estado de alerta.

Quando essa lembrança deixa de provocar o mesmo impacto emocional, muitas pessoas conseguem voltar a realizar atividades importantes com mais segurança e tranquilidade.

É importante lembrar que isso acontece após uma avaliação cuidadosa.

Cada pessoa possui uma história diferente e o tratamento sempre é individualizado.


Voltar não significa esquecer

Algumas pessoas acreditam que, para superar um trauma, precisam apagar completamente o que aconteceu.

Não é assim.

Você continuará sabendo da experiência que viveu.

A diferença é que ela deixa de controlar as suas escolhas.

Você pode lembrar do que aconteceu sem sentir que está vivendo aquilo novamente.

Essa costuma ser uma das maiores mudanças percebidas pelos pacientes.


E se eu nunca mais conseguir fazer o que fazia antes?

Esse medo é compreensível.

Quando uma experiência foi muito marcante, é natural perder a confiança por um tempo.

Mas isso não significa que essa será a sua realidade para sempre.

Com o tratamento adequado, muitas pessoas conseguem recuperar a sensação de segurança e voltar, gradualmente, às atividades que faziam parte da sua vida.

Cada processo acontece no seu ritmo, respeitando os limites e a história de cada pessoa.


Para finalizar

Depois de um trauma, é comum acreditar que evitar determinadas situações é a única forma de se sentir seguro.

Mas, quando o medo começa a impedir você de viajar, praticar esportes ou aproveitar momentos importantes, talvez seja a hora de compreender o que está acontecendo.

Em alguns casos, o EMDR pode fazer parte desse processo, ajudando o cérebro a elaborar experiências difíceis para que elas deixem de controlar o presente.

Porque o objetivo não é fazer você esquecer o que viveu.

É permitir que você volte a viver sem que o medo decida os seus próximos passos.

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