Essa é, sem dúvida, uma das perguntas que mais escuto no consultório.
E eu entendo perfeitamente por quê.
Quando decidimos começar uma terapia, é natural querer saber quanto tempo vai durar o tratamento. Afinal, isso ajuda a organizar a rotina, os custos e até as expectativas.
Mas a resposta mais honesta é: não existe um número de sessões que sirva para todas as pessoas.
Cada história é única.
E é justamente por isso que cada tratamento também será diferente.
Por que não existe uma quantidade fixa de sessões?
Imagine duas pessoas que procuram terapia por causa da ansiedade.
À primeira vista, elas podem ter sintomas muito parecidos.
As duas sentem o coração acelerar.
As duas têm dificuldade para dormir.
As duas vivem preocupadas.
Mas, quando conhecemos a história de cada uma, percebemos que as causas podem ser completamente diferentes.
Uma pessoa pode ter desenvolvido ansiedade depois de um acidente de carro.
Outra pode carregar experiências difíceis desde a infância.
Embora os sintomas sejam parecidos, o caminho do tratamento não será exatamente o mesmo.
É por isso que não seria correto prometer uma quantidade específica de sessões antes mesmo da avaliação.
Então, do que depende?
A duração do tratamento depende de vários fatores.
Entre eles estão a história de vida da pessoa, os objetivos da terapia, a quantidade de experiências que precisam ser trabalhadas, a intensidade dos sintomas e o momento em que ela está vivendo.
Também levamos em consideração os recursos emocionais disponíveis naquele momento.
Em alguns casos, antes de trabalhar determinadas lembranças, é importante fortalecer a sensação de segurança e desenvolver estratégias para que o paciente se sinta preparado para esse processo.
Tudo isso faz parte do tratamento.
Quem passou por um único trauma costuma precisar do mesmo tempo que quem viveu experiências difíceis durante muitos anos?
Nem sempre.
Uma pessoa que procura ajuda depois de um acontecimento específico pode ter necessidades diferentes de alguém que cresceu em um ambiente marcado por críticas constantes, negligência ou violência.
Por isso, comparar o próprio tratamento com o de outra pessoa raramente faz sentido.
Cada história merece ser compreendida de forma individual.
É possível perceber resultados logo no início?
Algumas pessoas relatam mudanças nas primeiras etapas do tratamento.
Outras precisam de mais tempo.
Não existe uma regra.
O mais importante não é a rapidez, mas construir mudanças consistentes e duradouras.
A terapia não é uma corrida.
É um processo.
O EMDR é uma terapia rápida?
Você talvez já tenha visto anúncios dizendo que o EMDR resolve tudo em poucas sessões.
Prefiro ter bastante cuidado com esse tipo de promessa.
Existem situações em que mudanças importantes realmente acontecem em um período mais curto.
Mas também existem casos que exigem um trabalho mais amplo e um acompanhamento por mais tempo.
Fazer promessas antes de conhecer a história de alguém não seria ético.
Cada pessoa merece um tratamento construído de acordo com as suas necessidades.
O tratamento termina quando todas as lembranças são trabalhadas?
Nem sempre.
O objetivo da terapia não é apenas diminuir o sofrimento relacionado a determinadas experiências.
Também buscamos fortalecer recursos emocionais, desenvolver formas mais saudáveis de lidar com os desafios da vida e ajudar o paciente a se sentir mais seguro para seguir em frente.
Por isso, o encerramento acontece quando os objetivos definidos para aquele processo terapêutico são alcançados e paciente e terapeuta entendem, juntos, que aquele ciclo foi concluído.
Uma dúvida que escuto muito no consultório
"Se eu melhorar antes, posso encerrar a terapia?"
Sim.
A terapia não tem como objetivo criar dependência.
Se os objetivos do tratamento foram alcançados e entendemos que faz sentido encerrar esse processo, isso pode ser conversado.
Da mesma forma, se no futuro surgir uma nova dificuldade, a pessoa pode voltar a procurar acompanhamento.
Cada fase da vida traz desafios diferentes.
Para finalizar
Mais importante do que saber exatamente quantas sessões serão necessárias é entender que cada tratamento é construído de forma individual.
Não existe um número mágico que funcione para todas as pessoas.
Existe uma avaliação cuidadosa, um planejamento e um acompanhamento que respeitam a história, o momento de vida e os objetivos de cada paciente.
Se você está pensando em iniciar um tratamento com EMDR, a primeira consulta será justamente o momento de conhecer melhor a sua história, esclarecer dúvidas e entender qual caminho faz mais sentido para você. A partir dessa avaliação, será possível conversar sobre expectativas e construir um plano terapêutico de forma realista e individualizada.
