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Por que eu sempre me envolvo com pessoas que me machucam?


Essa é uma das perguntas mais dolorosas que escuto.

Depois de um término, muitas pessoas olham para trás e percebem um padrão.

O parceiro era controlador.

O anterior também.

Depois veio alguém frio, distante ou agressivo.

E então surge a pergunta:

"O problema sou eu?"

A resposta costuma ser mais complexa do que um simples sim ou não.

Na maioria das vezes, não se trata de escolher sofrer.

Também não significa que você gosta de relacionamentos difíceis.

Muitas vezes, existe uma história por trás dessas escolhas.


Ninguém entra em um relacionamento pensando que será maltratado.

É importante lembrar disso.

Relacionamentos abusivos ou muito difíceis raramente começam de forma evidente.

No início, muitas pessoas são carinhosas, atenciosas e fazem você se sentir especial.

As dificuldades costumam aparecer aos poucos.

Pequenas críticas.

Controle.

Ciúmes.

Manipulação.

Falta de respeito.

Quando a pessoa percebe, já existe um vínculo afetivo importante.

Por isso, sair nem sempre é tão simples quanto parece para quem está olhando de fora.


Por que algumas pessoas repetem esse padrão?

Existem muitas possibilidades.

Em alguns casos, a pessoa cresceu acreditando que precisava conquistar o amor dos outros.

Em outros, aprendeu que carinho e sofrimento caminhavam juntos.

Também existem pessoas que passaram boa parte da infância tentando agradar, evitar conflitos ou conquistar a atenção de quem era emocionalmente indisponível.

Sem perceber, o cérebro pode passar a reconhecer esse tipo de relação como algo familiar.

E familiar não significa saudável.

Significa apenas conhecido.


O familiar pode parecer seguro, mesmo quando faz sofrer.

Essa é uma ideia muito importante.

Nosso cérebro tende a se aproximar do que conhece.

Se alguém cresceu em um ambiente onde amor vinha acompanhado de críticas, instabilidade ou rejeição, pode sentir uma estranha familiaridade ao encontrar pessoas que apresentam comportamentos parecidos.

Isso não significa que a pessoa gosta de sofrer.

Significa apenas que aquele tipo de vínculo faz sentido para o cérebro porque foi aprendido muito cedo.

É justamente por isso que algumas pessoas dizem:

"Eu sei que essa relação não me faz bem, mas não consigo sair."


Isso significa que meus pais são os culpados?

Não.

A terapia não procura culpados.

Procura compreender como determinadas experiências influenciaram a forma como você aprendeu a se relacionar.

Muitas famílias fizeram o melhor que conseguiam com os recursos que tinham.

Mesmo assim, algumas experiências podem ter deixado marcas importantes.

Entender essa história não serve para apontar culpados.

Serve para que você não continue repetindo padrões que fazem sofrer.


Como a terapia EMDR pode ajudar?

Quando existe um padrão repetitivo de relacionamentos que causam sofrimento, uma das perguntas mais importantes é:

O que o meu cérebro aprendeu sobre amor, cuidado e segurança?

Em alguns casos, determinadas experiências do passado continuam influenciando a forma como a pessoa escolhe parceiros, estabelece limites ou interpreta os relacionamentos.

Quando isso acontece, o EMDR pode fazer parte do tratamento.

O objetivo não é ensinar quem você deve amar.

Também não é fazer você terminar um relacionamento.

O objetivo é ajudar o cérebro a elaborar experiências que podem estar mantendo esses padrões, para que suas escolhas sejam cada vez mais conscientes e menos guiadas por feridas antigas.

Tudo isso acontece após uma avaliação cuidadosa e respeitando a história de cada pessoa.


Então eu atraio pessoas abusivas?

Essa ideia é muito comum, mas ela pode ser injusta com você.

Pessoas abusivas podem se aproximar de qualquer pessoa.

A grande diferença costuma estar no tempo que permanecemos naquela relação, na dificuldade de perceber os sinais, de estabelecer limites ou de sair quando a relação deixa de ser saudável.

Por isso, em vez de perguntar: por que eu atraio esse tipo de pessoa?, talvez seja mais útil perguntar:

O que faz com que eu permaneça em relações que me fazem sofrer?

Essa pergunta costuma abrir caminhos muito mais importantes.


Para finalizar

Se você percebe que vive relacionamentos parecidos, termina uma relação difícil e, algum tempo depois, encontra alguém com comportamentos semelhantes, não significa que você esteja condenado a repetir essa história.

Muitas vezes, esses padrões foram construídos ao longo da vida e podem ser compreendidos.

Olhar para a sua história não é voltar ao passado para encontrar culpados.

É entender como ela influenciou a pessoa que você se tornou.

E, quando compreendemos esses padrões, fica mais fácil construir relações baseadas em respeito, segurança e reciprocidade, e não apenas naquilo que um dia pareceu familiar.

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