Uma dúvida muito comum de quem está conhecendo o EMDR é esta:
"Isso é parecido com hipnose?"
Ou então:
"EMDR é igual à Programação Neurolinguística (PNL)?"
A resposta é não.
Apesar de algumas pessoas confundirem essas abordagens, elas têm objetivos, formas de trabalho e fundamentos muito diferentes.
Por isso, acho importante explicar essas diferenças de uma forma simples.
O EMDR não é hipnose
Talvez você já tenha visto filmes em que uma pessoa hipnotiza outra e ela parece perder o controle do que está acontecendo.
Isso não tem relação com o EMDR.
Durante uma sessão de EMDR, você permanece consciente o tempo todo.
Você sabe onde está, consegue conversar comigo, fazer perguntas e interromper a sessão sempre que desejar.
Em nenhum momento você perde o controle ou faz algo contra a sua vontade.
Na verdade, uma parte muito importante do tratamento é justamente fazer com que você se sinta seguro durante todo o processo.
O EMDR também não é Programação Neurolinguística (PNL)
Outra confusão comum acontece com a Programação Neurolinguística, conhecida como PNL.
Embora as duas utilizem o diálogo e trabalhem aspectos emocionais, elas são abordagens diferentes.
O EMDR é uma abordagem psicoterapêutica estruturada, aprovada pelo CFP (Conselho Federal de Psicologia) onde somente psicólogos ou psiquiatras formados nessa abordagem podem atuar.
Já a PNL possui outra proposta, com objetivos e técnicas diferentes.
Por isso, não é correto dizer que são a mesma coisa.
Então, o que acontece durante uma sessão de EMDR?
Ao contrário do que muitas pessoas imaginam, você não fica em um estado de transe.
Também não recebe sugestões para mudar seus pensamentos.
O trabalho acontece por meio de um protocolo estruturado, sempre respeitando o seu ritmo.
Durante a sessão, conversamos sobre aquilo que será trabalhado e, quando chega o momento adequado, utilizamos a estimulação bilateral como parte do processo terapêutico.
Você continua presente durante todo o atendimento.
Consegue perceber o ambiente, falar sobre o que está sentindo e participar ativamente da sessão.
O objetivo não é convencer você de nada
Outra diferença importante é que o EMDR não tenta fazer você pensar de uma determinada maneira.
O objetivo não é substituir pensamentos negativos por pensamentos positivos.
Também não é fazer você acreditar em algo.
O foco é ajudar o cérebro a processar experiências que ficaram emocionalmente "presas", para que elas deixem de provocar o mesmo sofrimento de antes.
As mudanças acontecem como consequência desse processo e da forma como a lembrança passa a ser vivenciada.
Por que tantas pessoas fazem essa confusão?
Provavelmente porque, durante uma sessão de EMDR, podem ser utilizados movimentos com os olhos, sons alternados ou pequenos toques.
Quem vê uma sessão pela primeira vez pode imaginar que isso seja algum tipo de hipnose.
Mas esses recursos fazem parte da estimulação bilateral, uma ferramenta utilizada dentro de um protocolo muito maior.
O EMDR não se resume a mover os olhos.
Existe uma avaliação cuidadosa, um planejamento do tratamento, preparação emocional e acompanhamento durante todo o processo.
Uma dúvida que escuto muito no consultório
"Vou revelar coisas que não quero ou perder o controle durante a sessão?"
Não.
Você permanece consciente o tempo todo.
Se não quiser responder alguma pergunta, pode dizer isso.
Se precisar fazer uma pausa, ela será feita.
O tratamento acontece respeitando os seus limites e o seu momento.
O objetivo nunca é forçar lembranças ou emoções, mas construir um processo seguro e gradual.
Para finalizar
É natural ter dúvidas antes de iniciar qualquer tratamento psicológico.
Mas é importante conhecer o EMDR pelo que ele realmente é, e não por comparações que podem gerar confusão.
O EMDR não é hipnose, não é Programação Neurolinguística e não faz você perder o controle da situação.
Ele é uma abordagem psicoterapêutica baseada em evidências, utilizada por profissionais capacitados, que pode fazer parte do tratamento de traumas e de outras experiências difíceis, sempre após uma avaliação cuidadosa.
Se ainda restarem dúvidas, converse com o psicólogo que irá conduzir o seu tratamento. Entender como a terapia funciona costuma trazer mais segurança e tranquilidade para iniciar esse processo.
