Você deita na cama cansado.
O corpo pede descanso.
Mas a mente não desliga.
Os pensamentos começam.
Você lembra de problemas, imagina situações que ainda nem aconteceram ou simplesmente sente que não consegue relaxar.
Quando finalmente pega no sono, acorda várias vezes durante a noite.
Ou desperta muito antes do horário e não consegue dormir novamente.
Se isso acontece com frequência, você sabe o quanto a insônia pode afetar o dia seguinte.
O cansaço aumenta.
A concentração diminui.
A irritação aparece.
E, muitas vezes, surge uma nova preocupação:
Será que hoje eu vou conseguir dormir?
Toda insônia tem a mesma causa?
Não.
Essa é uma das primeiras coisas que gosto de explicar.
A insônia pode acontecer por diferentes motivos.
Ela pode estar relacionada a hábitos de sono inadequados, questões médicas, uso de medicamentos, consumo de cafeína, estresse, ansiedade, depressão e diversos outros fatores.
Por isso, não existe um único tratamento que funcione para todas as pessoas.
O mais importante é compreender o que está causando a dificuldade para dormir.
Qual é a relação entre trauma e insônia?
Depois de uma experiência muito difícil, algumas pessoas têm a sensação de que nunca mais conseguem relaxar completamente.
Mesmo quando estão em segurança, o cérebro continua funcionando como se precisasse permanecer alerta.
É como se existisse um vigia que nunca encerrasse o turno.
Qualquer barulho desperta.
Qualquer movimento chama a atenção.
A mente continua procurando sinais de perigo.
Quando isso acontece, dormir profundamente pode se tornar muito difícil.
Em algumas pessoas, além da dificuldade para dormir, também aparecem pesadelos, despertares frequentes ou uma sensação constante de cansaço ao acordar.
E quando a insônia está relacionada à ansiedade?
A ansiedade também pode interferir muito no sono.
Algumas pessoas passam horas imaginando tudo o que pode acontecer no dia seguinte.
Outras revivem conversas, preocupações ou problemas enquanto tentam dormir.
Quanto mais tentam forçar o sono, mais despertas ficam.
Esse ciclo costuma aumentar ainda mais a ansiedade na hora de deitar.
Por isso, compreender a origem dessas preocupações faz parte do tratamento.
Como o EMDR pode ajudar?
O EMDR não é um tratamento para todos os tipos de insônia.
Mas, quando a dificuldade para dormir está relacionada a experiências traumáticas ou a lembranças que continuam mantendo o cérebro em estado de alerta, essa abordagem pode fazer parte do tratamento.
O objetivo não é fazer a pessoa dormir durante a sessão.
Também não é ensinar técnicas de relaxamento.
O foco é ajudar o cérebro a processar experiências que continuam provocando sofrimento e mantendo esse estado constante de vigilância.
À medida que essas experiências deixam de provocar o mesmo impacto emocional, algumas pessoas percebem que também conseguem relaxar com mais facilidade.
É importante lembrar que isso acontece apenas quando existe uma indicação clínica e após uma avaliação cuidadosa.
O EMDR substitui outros tratamentos para insônia?
Não.
Dependendo da causa da insônia, podem ser necessárias outras formas de tratamento.
Em alguns casos, também é importante realizar uma avaliação médica para investigar possíveis causas físicas.
O sono é influenciado por muitos fatores.
Por isso, o tratamento deve sempre considerar a história completa de cada pessoa.
Se eu resolver o trauma, minha insônia vai desaparecer?
Nem sempre.
Quando a insônia está diretamente relacionada ao trauma, trabalhar essas experiências pode contribuir para a melhora do sono.
Mas existem pessoas que apresentam mais de um fator interferindo no descanso.
Por isso, cada caso precisa ser avaliado individualmente.
O objetivo da terapia é compreender o que está mantendo a dificuldade para dormir e construir um tratamento adequado para aquela realidade.
Para finalizar
Dormir mal não significa apenas acordar cansado.
A insônia pode afetar o humor, a memória, a concentração, os relacionamentos e a qualidade de vida.
Se você percebe que sua dificuldade para dormir está acompanhada de ansiedade, sensação constante de alerta, pesadelos ou lembranças difíceis do passado, talvez seja importante investigar essa relação.
Em alguns casos, o EMDR pode fazer parte do tratamento, ajudando o cérebro a elaborar experiências que continuam interferindo no presente.
Mais importante do que apenas dormir mais horas é voltar a sentir que o seu corpo consegue descansar com segurança.
Porque, quando o cérebro entende que o perigo passou, muitas vezes o sono também encontra espaço para voltar.
