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EMDR para autoestima: quando a baixa autoestima pode estar relacionada às experiências do passado

Muitas pessoas acreditam que autoestima é simplesmente gostar de si mesmo.

Mas, na prática, ela é construída ao longo da vida.

A forma como fomos tratados na infância, as experiências que vivemos, os relacionamentos que tivemos e até as palavras que ouvimos repetidamente podem influenciar a maneira como nos enxergamos.

Por isso, quando alguém chega ao consultório dizendo "eu tenho baixa autoestima", a primeira pergunta não costuma ser "como aumentar a autoestima?".

A pergunta é:

"Como essa autoestima foi construída?"

Porque, muitas vezes, o problema não está apenas na autoestima.

Está nas experiências que ensinaram aquela pessoa a acreditar que ela não era boa o suficiente.

Como a baixa autoestima pode surgir?

Nem sempre existe um único motivo.

Algumas pessoas cresceram ouvindo críticas constantes.

Outras precisavam ser perfeitas para receber reconhecimento.

Algumas sofreram bullying.

Outras viveram relacionamentos abusivos.

Há quem tenha crescido sentindo que precisava agradar todo mundo para ser aceito.

Com o passar dos anos, essas experiências podem transformar opiniões em crenças.

Em vez de pensar:

"Me criticaram."

A pessoa passa a acreditar:

"Eu não sou bom o suficiente."

Essa diferença parece pequena, mas muda completamente a forma como ela passa a enxergar a si mesma.

Baixa autoestima não significa falta de confiança em tudo

Essa é uma ideia importante.

Uma pessoa pode ser excelente profissional, estudar muito, receber elogios e, ainda assim, sentir que nunca é suficiente.

Pode conquistar objetivos importantes e continuar acreditando que, a qualquer momento, alguém descobrirá que ela "não é tão boa assim".

Também pode sentir muita dificuldade para aceitar elogios, estabelecer limites ou dizer "não".

Isso mostra que autoestima vai muito além da autoconfiança.

Ela está relacionada à forma como nos percebemos e ao valor que acreditamos ter.

O que isso tem a ver com o trauma?

Nem toda baixa autoestima está relacionada a um trauma.

Mas, em muitos casos, experiências difíceis vividas ao longo da vida ajudam a explicar por que a pessoa desenvolveu determinadas crenças sobre si mesma.

Por exemplo, alguém que foi constantemente humilhado pode crescer acreditando que nunca será bom o suficiente.

Quem viveu abandono pode acreditar que sempre será deixado pelas pessoas.

Quem passou anos sendo criticado pode desenvolver um medo intenso de errar.

Essas crenças nem sempre surgem de forma consciente.

Elas vão sendo construídas aos poucos, a partir das experiências vividas.

Como o EMDR pode ajudar?

O EMDR não trabalha a autoestima apenas tentando convencer a pessoa de que ela é capaz.

O objetivo é compreender quais experiências contribuíram para a construção dessas crenças e ajudá-las a serem processadas de forma mais saudável.

Quando essas lembranças deixam de provocar o mesmo sofrimento, muitas pessoas passam a olhar para si mesmas de uma maneira diferente.

Isso não acontece porque alguém disse frases positivas durante a sessão.

Acontece porque o cérebro consegue elaborar experiências que, até então, continuavam influenciando a forma como a pessoa se enxergava.

É importante lembrar que o EMDR não é indicado para aumentar a autoestima de qualquer pessoa.

Antes de iniciar o tratamento, é realizada uma avaliação cuidadosa para entender a origem do sofrimento e definir qual abordagem faz mais sentido para aquele caso.

A autoestima muda de um dia para o outro?

Não.

Assim como ela foi construída ao longo da vida, sua reconstrução também acontece de forma gradual.

Pequenas mudanças costumam aparecer primeiro.

A pessoa começa a aceitar elogios sem tanto desconforto.

Consegue estabelecer limites com menos culpa.

Percebe que já não precisa agradar todo mundo.

Começa a confiar mais nas próprias decisões.

São mudanças que, muitas vezes, parecem pequenas, mas fazem uma grande diferença na qualidade de vida.

Uma dúvida que escuto muito no consultório

"Eu sempre tive baixa autoestima. Isso significa que vou ser assim para sempre?"

Não.

Muitas pessoas acreditam que a baixa autoestima faz parte da personalidade.

Mas, em alguns casos, ela está relacionada às experiências vividas e às crenças construídas ao longo da história.

Quando compreendemos de onde essas crenças vieram, elas podem ser trabalhadas de forma mais saudável.

Isso não muda quem você é.

Mas pode mudar a forma como você passa a olhar para si mesmo.

Para finalizar

A autoestima não nasce pronta.

Ela é construída nas relações, nas experiências e na maneira como aprendemos a interpretar o que vivemos.

Se, por muito tempo, você acreditou que não era suficiente, talvez essa ideia não tenha surgido por acaso.

Ela pode ser resultado de experiências que deixaram marcas importantes.

Quando isso acontece, compreender essa história é muito mais útil do que simplesmente repetir frases motivacionais diante do espelho.

O EMDR pode fazer parte desse processo quando a baixa autoestima está relacionada a experiências difíceis que continuam influenciando a vida no presente.

Mais importante do que aprender a gostar de si mesmo é compreender por que, em algum momento da vida, você aprendeu a acreditar que não era digno desse cuidado.

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