Provavelmente já ouviu falar sobre o EMDR e ficou com uma dúvida muito comum: afinal, essa abordagem também funciona para ansiedade?
A resposta é: depende da origem dessa ansiedade.
Eu sei que essa talvez não seja a resposta que você esperava, mas ela é a mais honesta.
Isso porque a ansiedade não tem uma única causa. Existem pessoas que convivem com ansiedade por diferentes motivos e, por isso, o tratamento também precisa ser individualizado.
Antes de escolher qualquer abordagem, o mais importante é entender o que está por trás dos sintomas.
Nem toda ansiedade tem a mesma origem.
Sentir ansiedade faz parte da vida.
Antes de uma entrevista de emprego, de uma prova ou de uma apresentação importante, por exemplo, é esperado que nosso corpo fique mais alerta.
Essa ansiedade é natural e, muitas vezes, até nos ajuda a enfrentar desafios.
O problema é quando ela começa a aparecer com frequência, em situações que não representam um perigo real, ou quando passa a limitar a vida da pessoa.
É nesse momento que vale investigar o que pode estar acontecendo.
Qual é a relação entre ansiedade e trauma?
Em algumas pessoas, a ansiedade está relacionada a experiências difíceis que o cérebro ainda não conseguiu processar completamente.
Imagine alguém que sofreu um acidente de carro.
Mesmo depois de anos, sempre que entra em um veículo, o coração acelera, as mãos suam e surge um medo intenso.
Nesse caso, a ansiedade pode estar ligada àquela experiência.
Outro exemplo é uma pessoa que cresceu sendo constantemente criticada.
Na vida adulta, ela sente uma ansiedade enorme sempre que precisa falar em público ou receber um feedback no trabalho.
À primeira vista, parece apenas insegurança.
Mas, quando olhamos para a história dessa pessoa, percebemos que existem experiências antigas que ainda influenciam a forma como ela reage hoje.
É justamente nesses casos que o EMDR pode ser uma abordagem indicada.
Como o EMDR pode ajudar?
O objetivo do EMDR não é combater a ansiedade diretamente.
O foco é ajudar o cérebro a processar experiências que continuam alimentando esse sofrimento.
Quando determinadas lembranças deixam de provocar o mesmo impacto emocional, é comum que algumas reações também diminuam.
Por isso, muitas pessoas procuram o tratamento por causa da ansiedade, mas descobrem que, por trás dela, existiam experiências do passado que ainda precisavam ser cuidadas.
É importante lembrar que cada caso é único.
Nem toda ansiedade está relacionada a um trauma.
Por isso, a avaliação clínica é uma etapa fundamental antes de definir qualquer tratamento.
O EMDR substitui outros tratamentos para ansiedade?
Não.
O EMDR é uma abordagem psicológica e pode fazer parte de um plano terapêutico, mas isso não significa que seja a melhor opção para todas as pessoas.
Em alguns casos, outras abordagens também podem ser indicadas.
Existem situações em que o tratamento inclui acompanhamento psiquiátrico, uso de medicação, mudanças no estilo de vida e outras estratégias que fazem parte de um cuidado mais amplo.
O mais importante é que o tratamento seja pensado de acordo com as necessidades de cada paciente.
Como saber se a minha ansiedade pode estar relacionada a um trauma?
Nem sempre essa relação é evidente.
Algumas pessoas conseguem identificar claramente quando os sintomas começaram.
Outras convivem com ansiedade desde muito cedo e acreditam que "sempre foram assim".
Durante a avaliação psicológica, investigamos a história de vida, as experiências marcantes, os sintomas atuais e a forma como eles aparecem no dia a dia.
Muitas vezes, esse processo ajuda a compreender conexões que antes não eram percebidas.
Uma dúvida que escuto muito no consultório
"Então toda pessoa ansiosa tem um trauma?"
Não.
Essa é uma ideia bastante comum, mas não é verdadeira.
A ansiedade pode ter diferentes causas e nem sempre está relacionada a experiências traumáticas.
Por outro lado, quando existe essa relação, compreender e trabalhar essas experiências pode fazer parte do tratamento.
Por isso, antes de pensar na técnica, eu sempre procuro entender a história de cada paciente.
O EMDR é indicado para qualquer pessoa com ansiedade?
Também não.
Assim como qualquer abordagem psicológica, o EMDR precisa ser indicado após uma avaliação cuidadosa.
Em alguns casos, primeiro é necessário fortalecer recursos emocionais e desenvolver estratégias para que a pessoa se sinta mais segura antes de iniciar o processamento de determinadas lembranças.
Cada tratamento respeita o momento e o ritmo de quem está sendo atendido.
Para finalizar
Conviver com ansiedade não significa, necessariamente, que você precisará fazer EMDR. Mas, se essa ansiedade estiver relacionada a experiências difíceis do passado, essa pode ser uma abordagem importante dentro do tratamento.
O mais importante é lembrar que ansiedade não é falta de força de vontade e nem sinal de fraqueza. Ela é um sinal de que algo merece ser compreendido e cuidado.
Se você percebe que a ansiedade tem limitado a sua vida, procurar uma avaliação psicológica pode ser o primeiro passo para entender o que está acontecendo e descobrir qual tratamento faz mais sentido para o seu caso.
