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EMDR e luto: quando essa abordagem pode ajudar no processo de perda

Perder alguém que amamos é uma das experiências mais dolorosas da vida.

Nenhuma terapia é capaz de apagar a saudade.

E esse também não é o objetivo.

Quando uma pessoa importante morre, é natural sentir tristeza, chorar, sentir falta, lembrar constantemente de quem partiu e precisar de um tempo para reorganizar a própria vida.

Tudo isso faz parte do processo de luto.

Mas, em algumas situações, além da saudade, existe um sofrimento muito intenso relacionado à forma como a perda aconteceu ou às lembranças que ficaram.

É nesses casos que o EMDR pode fazer parte do tratamento.


O luto é uma reação natural

Hoje em dia, existe uma preocupação muito grande em "superar" rapidamente qualquer sofrimento.

Mas o luto não tem prazo.

Cada pessoa vive esse processo de uma maneira diferente.

Algumas conseguem retomar a rotina aos poucos.

Outras precisam de mais tempo.

Não existe uma forma certa de viver o luto.

Também não existe um tempo considerado normal para sentir saudade.

O mais importante é compreender como essa perda está sendo vivida.


Quando o luto pode precisar de ajuda?

Sentir tristeza após uma perda não significa que existe um problema.

Mas algumas situações merecem atenção.

Por exemplo:

Quando a pessoa não consegue falar sobre quem morreu sem sentir um sofrimento insuportável.

Quando revive repetidamente os últimos momentos daquela pessoa.

Quando sente uma culpa intensa.

Quando evita qualquer lembrança relacionada à perda.

Ou quando a vida parece ter parado completamente mesmo após muito tempo.

Nessas situações, uma avaliação psicológica pode ajudar a compreender o que está acontecendo.


Qual é a relação entre trauma e luto?

Nem todo luto é traumático.

Mas algumas perdas acontecem de forma inesperada ou muito impactante.

Acidentes.

Suicídio.

Violência.

Mortes repentinas.

Internações prolongadas.

Ou situações em que a pessoa presenciou momentos extremamente difíceis.

Nesses casos, além da saudade, podem existir lembranças que continuam provocando muito sofrimento.

Às vezes, o paciente não consegue lembrar da pessoa que perdeu sem reviver exatamente o momento da morte.

É como se aquela cena ocupasse todo o espaço da memória.

Quando isso acontece, o sofrimento pode ser ainda maior.


Como o EMDR pode ajudar?

O EMDR não tem como objetivo fazer você esquecer quem perdeu.

Também não pretende diminuir o amor ou a importância daquela pessoa.

O objetivo é ajudar o cérebro a processar lembranças que continuam provocando sofrimento intenso.

Por exemplo, uma imagem da UTI.

Uma ligação recebida.

O momento em que a notícia chegou.

Uma cena do acidente.

Ou qualquer lembrança que permaneça extremamente dolorosa.

Quando essas experiências deixam de provocar o mesmo impacto emocional, muitas pessoas conseguem lembrar da pessoa querida com mais carinho e menos sofrimento.

A saudade permanece.

Mas ela deixa de estar acompanhada daquela dor intensa o tempo todo.

É importante lembrar que isso acontece apenas quando existe indicação clínica e após uma avaliação cuidadosa.


E se eu sentir culpa?

A culpa é muito comum no luto.

Muitas pessoas pensam:

Eu deveria ter feito mais.

Se eu tivesse percebido antes...

Eu podia ter evitado.

Nem sempre essas ideias correspondem à realidade.

Mas elas podem provocar um sofrimento muito grande.

Durante a terapia, também investigamos essas crenças e compreendemos de onde elas surgem.



Se eu fizer terapia, vou esquecer da pessoa que perdi?

Não.

O objetivo do tratamento nunca é apagar lembranças.

Pelo contrário.

O que buscamos é que você consiga lembrar da pessoa com amor, gratidão e saudade, sem que cada lembrança desperte um sofrimento insuportável.

O vínculo continua existindo.

O que muda é a intensidade da dor.


Para finalizar

O luto é uma das experiências mais humanas que existem.

Sentir tristeza, saudade e falta de quem partiu faz parte desse processo.

Mas, quando além da saudade existe um sofrimento intenso relacionado às circunstâncias da perda ou a lembranças que continuam machucando profundamente, procurar ajuda pode fazer diferença.

O EMDR pode fazer parte desse cuidado quando há uma indicação clínica, ajudando o cérebro a elaborar experiências muito dolorosas sem apagar a história vivida.

Porque seguir em frente não significa esquecer quem partiu.

Significa aprender a carregar esse amor de uma forma que permita continuar vivendo

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