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Bullying pode causar trauma? Entenda como essa experiência pode continuar afetando a vida adulta

Muitas pessoas acreditam que o bullying faz parte da infância ou da adolescência e que, com o tempo, tudo isso fica para trás.

Mas nem sempre é assim.

Embora algumas pessoas consigam superar essas experiências naturalmente, outras continuam sentindo os efeitos muitos anos depois.

Às vezes, o bullying termina quando a escola acaba.

Mas a vergonha, a insegurança e o medo de ser julgado continuam presentes na vida adulta.

Se você passou por isso, talvez já tenha se perguntado:


Será que o bullying ainda me afeta?

A resposta é que pode afetar, sim.

Tudo depende da forma como aquela experiência foi vivida e de como ela continua influenciando a sua vida hoje.


O bullying pode causar um trauma?

Pode.

Mas é importante entender que isso não acontece com todas as pessoas.

O trauma não depende apenas do que aconteceu, mas também da forma como cada pessoa conseguiu lidar com aquela experiência naquele momento.

Por isso, duas crianças podem viver situações parecidas e apresentar consequências diferentes.

Não existe uma regra.

O mais importante é compreender como essa história continua presente na vida da pessoa.


Como o bullying pode afetar a vida adulta?

Muitas vezes, as consequências aparecem de forma silenciosa.

A pessoa cresce acreditando que apenas é tímida.

Ou que nasceu insegura.

Ou que sempre teve baixa autoestima.

Mas, quando olhamos para a história dela, percebemos que essas dificuldades começaram justamente na época em que sofria bullying.

É comum aparecerem pensamentos como:

"Não sou bom o suficiente."

"As pessoas vão rir de mim."

"Se eu errar, vão me humilhar."

"Ninguém vai gostar de mim."

Essas crenças podem acompanhar a pessoa durante muitos anos.


Quais sinais podem indicar que o bullying ainda afeta você?

Cada pessoa reage de uma forma.

Mas alguns sinais são bastante comuns.

Medo excessivo de ser julgado.

Vergonha de falar em público.

Dificuldade para fazer novas amizades.

Necessidade constante de agradar os outros.

Baixa autoestima.

Ansiedade em situações sociais.

Perfeccionismo.

Sensação de nunca ser bom o suficiente.

Medo de cometer erros.

Esses sinais não significam, obrigatoriamente, que exista um trauma.

Mas podem indicar que algumas experiências ainda merecem ser compreendidas.


Isso aconteceu há muitos anos. Por que ainda dói?

O tempo ajuda muitas experiências a serem elaboradas.

Mas, em alguns casos, ele não é suficiente.

Quando determinadas lembranças continuam emocionalmente "presas", situações parecidas podem despertar o mesmo sofrimento de anos atrás.

Por exemplo, uma crítica feita pelo chefe pode trazer de volta a mesma sensação de humilhação vivida na escola.

Uma apresentação no trabalho pode despertar o medo de ser ridicularizado.

O cérebro nem sempre faz essa ligação de forma consciente.

Mas o corpo costuma reagir.


Como o EMDR pode ajudar?

Quando o bullying deixou marcas importantes, o EMDR pode fazer parte do tratamento.

O objetivo não é apagar o que aconteceu.

Também não é fingir que aquela fase da vida nunca existiu.

O objetivo é ajudar o cérebro a processar essas experiências para que elas deixem de provocar o mesmo sofrimento de antes.

Muitas vezes, o paciente continua lembrando do que viveu.

A diferença é que essas lembranças deixam de definir quem ele é ou de controlar suas escolhas no presente.

Antes de iniciar qualquer tratamento, porém, é sempre realizada uma avaliação cuidadosa para entender a história de cada pessoa e identificar a abordagem mais adequada.


Uma dúvida comum

"Se eu sofri bullying quando era criança, vou carregar isso para sempre?"

Não.

As experiências que vivemos fazem parte da nossa história, mas elas não precisam determinar o nosso futuro.

Com o tratamento adequado, muitas pessoas conseguem reconstruir a autoestima, desenvolver relações mais saudáveis e diminuir o impacto emocional dessas lembranças.

Cada processo acontece no seu tempo, respeitando a história e as necessidades de cada paciente.


Para finalizar

O bullying nunca deve ser visto como "brincadeira" quando deixa marcas emocionais.

Se você percebe que experiências vividas na infância ou na adolescência ainda interferem na sua autoestima, nos seus relacionamentos ou na forma como se enxerga, saiba que isso merece atenção.

Você não precisa continuar vivendo como se aquelas vozes do passado ainda definissem quem você é.

Compreender essas experiências e buscar ajuda quando necessário pode ser um passo importante para construir uma relação mais saudável consigo mesmo e com os outros.

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